23 janeiro 2013
22 janeiro 2013
Pensamentos...
O homem olha todas as coisas do mundo em seus
mínimos detalhes, chegando até mesmo a partículas mínimas indivisíveis, olha o
universo em sua dimensão imensurável especulando as distâncias em anos-luz, lê
livros e mais livros procurando respostas para suas perguntas, procura ajuda
profissional e religiosa, mas em momento algum olha para o universo a parte que
existe dentro de si, não parando para pensar que algumas respostas, talvez as
mais importantes não estão há um ano luz da Terra, mas simplesmente em algum
lugar dentro dele mesmo.
Dom Juan Ricthelly.
Pão e Circo
Vamos tomar nossos lugares, em frente as Tv´s
Nas arquibancadas de estádios e perante a vida
Vamos assistir a tudo calados e sem reclamar
Porque afinal o pão nunca esteve tão barato
E o programação de sempre continua indo ao ar
Vamos continuar indo as nossas escolas
Sendo adestrados para que jamais ousemos pensar
Vamos continuar indo aos nossos hospitais
Para sermos abatidos e fatiados como gado
Vamos ser bons cidadãos como exige o Estado
Acordar cedo, trabalhar e pagar os impostos
Pagar uma fortuna em juros e adquirir produtos importados
Isso mesmo pessoal, vamos assistir a tudo isso calados.
Vamos sediar a Copa do Mundo FIFA e depois as Olimpíadas
E vamos numa boa abrir mãos de nossas leis e de nossa
soberania
Vamos construir estádios caros e superfaturados
E deixemos de lado as estradas, a saúde, a educação e a
segurança
Simplesmente paguemos tudo, enquanto eles montam suas
poupanças.
Relaxem pessoal, está tudo bem, sente-se aí
Vamos aceitar o pão que nos foi dado
Com o nosso próprio dinheiro declarado
Vamos sentar no picadeiro do Estado
E rir no circo de muito bom grado
Pois pão e circo é tudo o que mais precisamos.
'Psiu! Está atrapalhando a programação. Calado!'
'Psiu! Está atrapalhando a programação. Calado!'
Dom Juan Ricthelly. Gama-DF. Janeiro de 2013.
Cirque du Soleil no Sinal.
Verde...
Amarelo...
Vermelho...
Senhoras e
senhores e o maior espetáculo da cidade vai começar!
Os habilidosos
malabares do asfalto entram em cena, com uma maestria que capta a atenção dos
motoristas que esperam o Verde, por alguns segundos, boa parte deles esquece o
quão apressados estão para chegar a seus destinos ou o quanto estão estressados
com aquele transito caótico da hora do Rush.
E os
malabaristas continuam fazendo movimentos rápidos e precisos, cada segundo é
valioso, e eles têm cronometrados em suas mentes o tempo exato que devem dedicar
a sua arte e a captação de moedas.
Faltando poucos
segundos eles passam entre os carros, recebendo elogios, sorrisos, vidros
fechados, moedas e as raras cédulas de dois.
Ação que é
respondida com:
-Gracias!
-Obrigado! – com um sotaque carregado de
espanhol.
Verde... E a
platéia segue.
Amarelo...
Algumas aceleradas (esses perderão o próximo ato), outras freadas bruscas
(esses estarão na primeira fileira).
Vermelho... E
a platéia está formada.
Agora é a vez
dos palhaços, que fazem algumas idiotices, arrancando risos de algumas crianças
nos carros que riem como se tivessem presenciado a coisa mais engraçada do
mundo.
Logo em
seguida passam entre os carros vendendo pirulitos, balas e outros doces
contando com o apoio dos pequenos que dizem daquele jeito que só eles sabem:
-Ah mãe eu quero!
Conseguem
algumas moedas ao que respondem ‘obrigado’ com uma voz engraçada.
Verde... E
mais essa platéia se vai.
Amarelo...
Vermelho... Um
flash é disparado do pardal mais próximo.
Acrobatas e
cuspidores de fogo entram em cena fazendo um grande espetáculo, e parecem
conseguir hipnotizar alguns motoristas que olham encantados aquela apresentação
amadora executada por profissionais em um dos muitos semáforos de Brasília.
Os
acrobatas saltam de forma esplendorosa aproveitando bem o espaço e dividindo o
palco com os cuspidores de fogo que estão logo atrás causando clarões naquela
noite que se inicia.
Um
faz a coleta em quanto outros continuam o show que deve continuar, esse é o número
mais apreciado pelos motoristas, que de tão impressionados se sentem na obrigação
de contribuir, com os níqueis que em seus porta-moedas, carteiras e bolsas. De
vez em quando se houve um marido dizer:
-Amor? Você tem um real aí?
Verde...
E a platéia se move, para dar lugar a outra que irá se formar logo mais
adiante.
Amarelo...
Vermelho... E
a fila vai se formando, como cada vez mais carros com seus faróis acesos.
Monociclistas
entram fazendo manobras e malabarismos com bolinhas, fazendo movimentos circulares
e milimetricamente calculados para que não haja colisões entre si.
Além dos
movimentos o que chama a atenção dos espectadores temporários é o tamanho de
alguns dos monociclos, há dois enormes com mais de dois metros e um tão pequeno
quanto à bicicleta de uma criança, e perto do fim os artistas equilibram os
monociclos na boca através da cela.
E alguns
motoristas buzinam como forma de aplaudir aqueles artistas de semáforo e
asfalto, que rapidamente coletam o dinheiro que alguns motoristas entregam em
meio a elogios.
Verde...
Amarelo...
Vermelho... E
novamente entram os malabares do primeiro ato.
E o espetáculo
segue de forma cíclica entre os carros que param esperando o Verde, e cada platéia
que se forma presencia uma parte daquele grande espetáculo, que alguns não
notam por estarem perdidos em seus pensamentos ou conversando no celular
enquanto dirigem.
A verdade é
que só os próprios artistas urbanos daquele Cirque du Soleil no sinal,
presenciam a totalidade daquele espetáculo sem o glamour do verdadeiro Cirque du
Soleil, mas com uma pitada do mesmo encanto que impressiona as pessoas que vão
ao original.
E eles são a
verdadeira platéia de si mesmos.
Verde...
Amarelo...
Vermelho...
Dom Juan Ricthelly. Gama-DF. Janeiro de 2013.
Assinar:
Postagens (Atom)

