30 abril 2011

Amor em versos

Amor repelido é amor multiplicado
Amor contido é amor desconsolado
Amor repentino é amor inesperado
E amor sem tino é amor descontrolado

Amor amado é amor vivido
Amor dado é amor dividido
Amor comprado é amor fingido
E amor negado é amor perdido

Amor com amor é amor
Amor sem amor é a dor
Amor em amor é ardor

Amor em jardim é uma flor
Amor com asas um beija flor
E amor em pessoa um amador

Dom Juan Ricthelly
Gama, DF, 2011

27 abril 2011

Frase

"Quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores?" Vinicius de Moraes.

26 abril 2011

Os quatro ventos.

        Os ventos cantam, gritam e ás vezes sussurram em meus ouvidos, cada vez eles me trazem uma mensagem que me incita, uma canção que me toca e um deles se me traz um perfume que me enfeitiça, através de seu sopro inconfundível que vem de forma alternada dos quatro cantos cardeais.
            Nas vezes que ele vem do Norte me diz baixinho que veio de muito longe e que vai pra mais longe ainda rasgando os céus de forma invisível levando as nuvens consigo de forma suave, mas irresistível. Ele ainda me fala de outras terras e horizontes que eu deveria conhecer antes de partir, sem esquecer-se de se gabar por ser um grande viajante.
            O vento que sopra do Leste vem sorridente lado a lado da alvorada acompanhando-a do oriente ao ocidente num passeio alegre trazendo consigo os ares do Atlântico e algum vestígio de maresia que foi ficando pelas matas e montanhas do caminho até aqui. Ele brinca balançando as folhas das árvores e de vez em quando leva uma sacola de plástico ou uma simples pluma para dançar nas alturas á vista de todos, imprimindo uma vontade geral de sair voando por aí com ele e como ele, que diz sem palavra alguma: “morram de inveja”.
            O vento do Sul é frio e intimo da noite. Indiscutivelmente o favorito dos casais que se abraçam compartilhando o calor de seus corpos num abraço de laço, que causa um arrepio confuso por não se saber se sua causa é o frio do vento ou o próprio calor dos enamorados. Ele costuma fazer o céu chorar sem motivo regando os campos e prados só para vê-los florir na primavera, de todos é o mais romântico.
            Agora o vento do Oeste é o mais misterioso de todos, não sussurra, não canta, não grita, não chora e nem sorri... Ele é taciturno e silencioso. Causa alguns redemoinhos de poeira ao vento, acaricia minha face nos fins de tarde e o mais intrigante... Me traz um perfume meio difuso pela distância, acho que de um Jasmim que brotou em algum lugar pros lados de onde ele veio, e eu pergunto: “De onde veio tal perfume?”. E o que tenho mais próximo de uma resposta é um sopro ininteligível que nada me diz, e repito desesperadamente: “Por favor, fale comigo! Me conte os seus segredos e me diga de onde veio tal perfume? Onde está essa flor?”. E novamente aquele sopro indiferente se repete, me canso de implorar e enfim me calo.
           Dom Juan Ricthelly. 

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes.

18 abril 2011

100 livros em um ano: As Valkírias

"O amor só descansa quando morre. Um amor vivo é um amor em conflito."