07 maio 2012

Divagação Monologa: Hora de sair da caverna


Não sei se algum dos que passarem por aqui, leram a Alegoria da Caverna de Platão (aos que não, recomendo). De qualquer forma, falemos sobre ela de forma resumida.

“Imaginem um grupo de pessoas que vivem dentro de uma caverna praticamente desde que nasceram, acorrentadas de modo que fiquem imóveis e olhando para frente. Imaginem que há uma parede atrás dessas pessoas e que atrás dessa parede há uma fogueira e pessoas que passam transportando objetos como estátuas de animais, homens e outras coisas, e que isso somado á fogueira faz sombras na parede em que os acorrentados permanecem olhando e que as pessoas que passam ás vezes conversam. Ficando atento ao fato de que os acorrentados só vêm sombras e escutam vozes estranhas, a caverna para eles é todo o mundo que eles conhecem, as sombras são coisas reais, ou seja, a sombra da estátua de um cavalo é o cavalo para eles e as sombras de tudo que o aparece na parede é a realidade para eles.

E um dia um dos que estão acorrentados é forçado pelos que passam a sair dos grilhões e observar a fogueira e todas as estátuas autoras das sombras que ele via, imagine o deslumbramento que isso causa nele. Ainda insatisfeitos o obrigam a subir a escada e sair da caverna, e que chegando lá fora à luz o obrigue a fechar os seus olhos que sempre estiveram acostumados à penumbra, mas com o tempo ele se acostuma com a luz podendo ver o mundo plenamente e todas as suas coisas, chegando a compreender coisas que antes ele nem imaginava que existiam e ficando estupefato com a condição em que vivia antes.
E eis que em algum momento ele se sente impelido á voltar à caverna para contar a seus companheiros tudo o que viu e ajudá-los a sair de lá. Chegando a caverna ele sente dificuldade para enxergar, pois seus olhos se acostumaram com a luz.

E ele tenta convencer seus companheiros acorrentados de que o que eles vêm na parede são apenas sombras de objetos que representam seres vivos de verdade. E eles acham que ele ficou louco e que a superfície estragou a sua visão. Ainda insatisfeito com tamanha incredulidade e tentando inutilmente provar o que diz ele tenta desacorrentar uma das pessoas para que ela possa ver com seus próprios olhos. “E com medo de que sua visão fique estragada e de fique louco e dizendo coisas estranhas como aquele homem o que está acorrentado acaba por agarrá-lo e matá-lo.”
Não sei se consegui ser claro e fiel ao texto de Platão, mas vamos ao que interessa. Agora imagine essa alegoria aplicada ao mundo em que vivemos, imaginaram?

Se você que está lendo faz parte do grupo dos que ainda estão na caverna (que são a maioria esmagadora), te digo para se soltar dessas correntes que o prendem. E que ao invés de ter um olhar fixo para uma parede em que aparecem sombras, você se mecha e olhe a sua volta. Te peço que olhe a escada e saia da caverna e que não tenha medo da luz, e desejo que você veja as coisas como elas realmente são. Se conseguir, meus parabéns. Não fique decepcionado com suas concepções antigas, mas fique feliz com a que possui agora.

Use a sua visão e veja que no decorrer da história muitos dos que tentaram tirar a humanidade da caverna foram mortos ou condenados a coisas horríveis... Sócrates um dos primeiros a sair da caverna foi condenado a beber Cicuta (veneno), Jesus Cristo (que foi o maior de todos) foi humilhado como um mero charlatão e crucificado como um criminoso, sem mencionar os famosos e os anônimos que foram queimados, enforcados, esquartejados e guilhotinados.

A vantagem do tempo em que vivemos é que quem sai da caverna e volta, não corre mais o risco de sofrer tais punições severas, o que ocorre no mínimo é as pessoas rirem da sua cara ou te acharem um louco.

A verdade é que todos nasceram na caverna e na escuridão (ignorância), alguns conseguem sair, mas a maioria morrerá do mesmo modo que nasceu. E é natural os que saem tentarem ajudar os outros a saírem, mas esse é um trabalho quase hercúleo, porque quem está na ignorância, acabou sendo fortemente condicionado a permanecer nela. A achar que o que disseram pra ele é a verdade, sem ao menos ter a curiosidade de conferir com seus próprios olhos. A ter medo de questionar. A ser completamente cego pra maioria das coisas e o mais hediondo de tudo isso em minha humilde opinião, a não pensar e refletir sobre as coisas, ou seja, a não usar uma das coisas mais preciosas da mente humana... A Razão. Razão pra eles é basicamente relacionado a quem está certo ou errado numa discussão, faça esse teste, pergunte a alguém um dia o que é a razão pra ele, provavelmente se surpreenderá com a resposta.

O exemplo básico da razão é o silogismo que era aplicado por Aristóteles, o exemplo clássico de silogismo é:

Todo homem é mortal. (Premissa maior)
            Sócrates é homem. (Premissa menor)
            Logo, Sócrates é mortal. (Conclusão)

Acreditem, isso é muito mais profundo do que parece, usando essa lógica você é capaz de derrubar qualquer argumentação que não seja acorde com a razão da qual falamos.

E somente pela razão, somada com a curiosidade é que um dia talvez consigamos todos nós, sair da caverna da ignorância e ver as coisas como elas realmente são. Se você não entendeu nada do que eu disse, me desculpe. E uma mensagem a todos: ‘saiam da caverna e vejam o mundo’.

Um enorme abraço á todos e que a luz da razão seja um guia em sua vida.

21 março 2012

Divagação Monologa: Minha infância querida.

É estranha a sensação que toma conta de mim quando olho pra trás e me lembro de certas coisas que vivi. Estava agora a pouco a conversar com um amigo sobre como era a nossa infância... E de como a infância é hoje em dia.
Lembro com um grande carinho e com uma saudade dolorida, da minha infância querida que os anos não trazem mais.
Lembro que eu e os rapazes da minha época jogávamos biloca em qualquer lugar que tivessem três buracos alinhados no barro, e ‘Tazo’ na escola na hora do intervalo, soltávamos pipa ou ratinha, éramos zoados o ano inteiro por termos o nariz, a orelha, a boca, os dentes ou qualquer outra coisa que chamasse a atenção de nossos colegas zombeteiros. Saíamos na porrada para alguns meses depois nos tornarmos amigos, não havia rancor quanto a isso.
Lembro que tínhamos muito medo de beijar na boca das meninas embora não houvesse mais nada que quiséssemos tanto. Era uma época em que o beijo era tudo o que você mais queria de uma garota, porque você não sabia que havia algo melhor. A inocência ainda vendava nossos olhos e os nossos medos hoje nos parecem bobos.
Já hoje em dia as crianças crescem em frente ao computador e acabam se privando de coisas que são simples, mas ainda assim prazerosas. Tínhamos mais contato pessoal, porque o virtual não existia. Explorávamos o quarteirão de bicicleta e cada nova rua que desbravada era uma aventura para nós, caíamos da bicicleta para nos levantar em seguida, com alguns arranhões? Sim, porém felizes de estar vivendo o mundo.
Éramos mais protagonistas e menos espectadores, acordávamos cedo nos dias sem aula para ver desenho das 7:00 ás 12:30, pedíamos benção aos mais velhos, as meninas sonhavam em ser professoras e os meninos policiais.
Lembro que para termos acesso a pornografia tínhamos que roubar a revista de um tio ou irmão mais velho e vermos escondidos, se nos pegassem apanhávamos. Hoje um clique é única coisa que impede um garoto de ter acesso a isso. Lembro ainda que masturbação era coisa do capeta e dava pelos na mão.
Brincávamos também de pique esconde, pique-pega, bandeirinha, queimada, corte, caiu no poço, andoleta, adedonha, jogo da velha na calçada, lutinha... As meninas brincavam de casinha, elástico, pular corda, amarelinha e etc.
Hoje só posso dizer: Que saudades daquele tempo e que bom que o vivi. Fico feliz por ter feito parte da provável última geração que teve dessas coisas que os nossos filhos e netos não farão do que é.

01 março 2012

My Bands: Marcelo D2

Um ser.

Como explicar o vazio
Que inunda esse pensante ser
Que não sabe mais o que é
Não sabe mais o que quer.

Um ser que tenta se encontrar
Em qualquer coisa em que possa tocar
Um ser que às vezes se esquece de sentir
E de ver além de um simples olhar.

Um ser vulgo homo sapiens
Que não sabe de onde veio
Que não faz ideia de pra onde vai
Que chora ao olhar para trás

Um ser que é ingrato
Que pode ser mal ou bom
Que vive em sociedade
E que é semelhante a um deus.

Um ser que não sabe ser
Que despreza o saber
Enaltece o ter
E se esquece de viver.

Esse ser sou eu.
Esse ser é você.
Ele é ela e ele.
Nós somos esse ser.

Dom Juan Ricthelly. Gama-DF, Março de 2012.

01 fevereiro 2012

O prazer da simplicidade.

Acorde e veja o sol cavalgando pelo céu, sei que isso se repete a milhares de anos, mas ainda assim acho isso lindo.
Se deslumbre com o brilho infinito das estrelas, e veja quais perguntas virão a sua mente.
Saboreie a sombra de uma árvore num dia de calor, se nesse momento você entender o quão valiosa é uma única árvore, acredito que se sentirá triste quando ver uma cortada.
Dance na chuva como se fosse um idiota, e não se importe com isso, porque as pessoas provavelmente vão te achar um idiota.
Feche os olhos e sinta a brisa em silêncio, e tente ouvir a canção que há no vento.
Faça alguém rir até chorar, e veja o quanto isso é bom e prazeroso.
Escreva uma carta de amor, e não ligue se disserem que isso é brega.
Dê um abraço apertado e demorado, principalmente se a pessoa estiver chateada com você, isso vai desarmá-la.
Escale uma montanha e veja como o mundo belo lá de cima, e note que o mundo é a maravilha das maravilhas.
Não sei se todas essas coisas serão capazes de tornar você uma pessoa melhor ou de fazer você mais feliz, mas se em algum momento você se sentir tão bem quanto me sinto, ficarei feliz por você.