05 fevereiro 2011

Divagação Monologa: Época errada.


Sinto saudades de tempos remotos onde eu não era nem projeto de ser algo algum dia, de certa forma acho que o meu espírito não pertence a essa época, pois o passado e todas as coisas pertencentes a ele me fascinam muito mais do que as coisas do presente e do que qualquer coisa num futuro possível. Muitas pessoas já me disseram e até eu mesmo já me disse que nasci na década, no século, na era e sendo um pouco radical no planeta errado.
            Acho ridículo e desprezo o estilo de sociedade em que vivemos, as músicas da moda, as celebridades do momento, a mídia que manipula e toda essa sujeira que me polui através dos sentidos e que não tenho alternativa por viver num mundo em que valores e virtudes não têm valor algum.
            Não sei exatamente quando eu deveria ter nascido, mas pelo que sou posso tentar supor. Sou da época em que homens abriam portas, andavam do lado da rua enquanto caminhavam com uma mulher, davam flores e não sentiam vergonha disso... De uma época onde todos se cumprimentavam com bom dia, boa tarde e boa noite sem nem se conhecerem... Da época em que o respeito aos pais era quase tão sagrado quanto o respeito a Deus...         
            Será que ouve alguma época assim??? Caso não. Vou continuar tentando adivinhar.
            Pra ser mais exato sou de uma época em que a maioria das mulheres se portava como ladies ao invés de rameiras... Em que os homens eram homens no sentido real da palavra e não somente na acepção física e genética... Em que coisas como honra, dignidade e honestidade eram importantes pelo menos pra maior parte das pessoas... E em que a inocência das crianças era respeitada e não derrubada por coisas que hoje chamamos de TV.
            Não estou dizendo que em minha época coisas ruins não aconteciam e que não havia pessoas más, pois isso sempre houve em qualquer tempo, é só que em momento algum anterior a esse eles eram vistos como normais e legais, chegavam até a serem repreendidos.
            Na minha época poemas não eram bregas... As músicas sempre tinham conteúdo e até mesmo mensagens úteis pra vida ao invés de palavrões e melodias pobres... A cultura e as raízes eram motivo de orgulho... Não havia uma mídia que banalizava coisas como adultério, homossexualismo explicito, divórcio e aborto... E o que era ruim, não era pintado como bom.
            Ainda não estou conseguindo saber de que época eu sou de fato... Vejamos, deixe me tentar mais um pouco...
            Talvez seja uma época em que artista e celebridade eram coisas que não se confundiam da mesma forma que não se confunde água e óleo... Em que cortesia e cavalheirismo faziam as mulheres dar suspiros... Em que as famílias eram maiores e mais fortes... Em que professores eram mestres e alunos eram discípulos...
            Em momento algum eu disse que não havia drogas, violência e corrupção, só estou dizendo que as drogas não eram tantas, que a violência não era tão gratuita e aleatória e quanto à corrupção, não sei se era maior ou menor.
            Eu gosto de bandas, músicos e músicas que não fazem mais sucesso e vejo sentido nelas, sinto saudades daquela juventude que revolucionou o mundo, que saia nas ruas pra protestar contra o que estava errado, que perdeu muito dos seus lutando contra a tirania em prol da democracia e da liberdade para todos.
            Eu amo relógios de bolso, óculos aro redondo, poemas, Shakespeare e Machado de Assis... Acho fascinante saber que havia duelos de espada, serenatas e todas essas pieguices que hoje só conhecemos por oitivas.
            Não sei se sou de uma época específica, de várias ou se tudo isso não passa de uma neurose misantrópica da minha parte, só sei que não gosto mundo em que vivo, pois ele é um mundo que foi virado ao avesso e ninguém parece se incomodar com isso. Sintetizando tudo numa frase só, sai algo mais ou menos assim: Não sei de onde ou quando eu sou, só sei que não sou daqui.
           


03 fevereiro 2011

Para tentar rir: Frases de jogadores de futebol.

'Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da VARIG.'
(Mengálvio, ex-meia do Santos, em telegrama à família quando em excursão à Europa)

'Tanto na minha vida futebolística quanto com a minha vida ser humana.'
(Nunes, ex-atacante do Flamengo, em uma entrevista antes do jogo de despedida do Zico)

'Que interessante, aqui no Japão só tem carro importado.'
(Jardel, ex-atacante do Grêmio)

'As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe.'
(Dunga, em entrevista ao programa Terceiro Tempo)

'Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja.'
(Jardel, ex-atacante do Grêmio)

'O novo apelido do Aloísio é CB, Sangue Bom.'
(Souza, meio-campo do São Paulo, em uma entrevista ao Jogo Duro)

'A partir de agora o meu coração só tem uma cor: vermelho e preto.'
(Jogador Fabão, assim que chegou no Flamengo)

'Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui fondo e chutei pro gol.'
(Jardel, ex- jogador do Vasco e Grêmio, ao relatar ao repórter o gol que tinha feito)
'Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu.'
(Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar em Belém do Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 72)

'Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola.'
(Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo)

'No México que é bom. Lá a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias.'
(Ferreira, ex-ponta esquerda do Santos)

'Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe.'
(Jardel, ex-atacante do Vasco, Grêmio e da Seleção)

'O meu clube estava a beira do precipício, mas tomou a decisão correta, deu um passo a frente.'
(João Pinto, jogador do Benfica de Portugal)

'Na Bahia é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar.'
(Zanata, baiano, ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano)

'Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático.'
(Vicente Matheus, eterno presidente do Corinthians)

'O difícil, como vocês sabem, não é fácil.'
(Vicente Matheus)

'Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão.'
(Vicente Matheus)

'O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável.'
(Vicente Matheus, ao recusar a oferta dos franceses)

02 fevereiro 2011

Coríntios 13

"O amor é sofredor; é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade.
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."

My Bands: Cazuza.

01 fevereiro 2011

Flor sem essência.


E agora mulher?
Os anos passaram...
Os flertes terminaram.
Seu corpo não é mais esbelto.
E você não é mais quem era.

E agora mulher?
A sua beleza mortal a muito se foi.
Sua pele não é mais macia.
E o seu sorriso não chega nem a sombra
Do que um dia já foi.

E agora mulher? E agora?
Que seus decotes não abrem mais portas.
Com antes abria.
E que o seu olhar não mais conquista,
Pois perdeu o brilho que existia.

E agora mulher? Cadê?
Aonde anda aquela exuberância
E toda aquela galhardia daqueles dias?
Onde anda aquela arrogância
Que você gratuitamente distribuía por aonde ia?
Me responda! Cadê tudo aquilo?

E agora? De que valeram aquelas coisas?
A velhice chegou de mansinho.
O seu viço se foi indo.
E não lhe sobrou nada,
Além da sua penúria de caráter.

E agora? E agora? E agora mulher?
Tenho pena de você.
Saiba que é triste ver uma flor murchar.
Não ter essência quando a beleza abandonar.
E ir terminar onde você terminou.
Que pena mulher... Que pena!

Dom Juan Ricthelly. Brazlândia-DF, 2011.