21 abril 2010

Poema: Para viver um grande amor.


O amor é e sempre será uma das coisas mais intrigantes para o ser humano, é algo que ele talvez nunca conseguirá entendê-lo em sua totalidade, porque não é de forma alguma pra ser compreendido e sim sentido em sua plenitude. Todos querem viver um grande amor, mas poucos realmente conseguem, e onde será que os fracassados passionais erram? Com toda sinceridade não faço idéia, afinal sou um deles também, se soubesse não o seria. Mas o nosso grande poeta Vinicius de Moraes, tentou nos deixar uma receita da melhor forma que ele poderia para nos ensinar o que é necessário para se viver um grande amor. Pra quem gostar, existe uma versão musicada desse poema, é só pesquisar.

PARA VIVER UM GRANDE AMOR.

Vinicius de Moraes.

Para viver um grande amor, preciso
É muita concentração e muito siso
Muita seriedade e pouco riso
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor, mister
É ser um homem de uma só mulher
Pois ser de muitas - poxa! - é pra quem quer
Nem tem nenhum valor
Para viver um grande amor, primeiro
É preciso sagrar-se cavalheiro
E ser de sua dama por inteiro
Seja lá como for
Há que fazer do corpo uma morada
Onde clausure-se a mulher amada
E postar-se de fora com uma espada
Para viver um grande amor

Para viver um grande amor direito
Não basta apenas ser um bom sujeito
É preciso também ter muito peito
Peito de remador
É sempre necessário ter em vista
Um crédito de rosas no florista
Muito mais, muito mais que na modista!
Para viver um grande amor
Conta ponto saber fazer coisinhas
Ovos mexidos, camarões, sopinhas
Molhos, filés com fritas, comidinhas
Para depois do amor
E o que há de melhor que ir pra cozinha
E preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha
Para o seu grande amor?

Para viver um grande amor, é muito
Muito importante viver sempre junto
E até ser, se possível, um só defunto
Pra não morrer de dor
É preciso um cuidado permanente
Não só com o corpo, mas também com a mente
Pois qualquer "baixo" seu a amada sente
E esfria um pouco o amor
Há que ser bem cortês sem cortesia
Doce e conciliador sem covardia
Saber ganhar dinheiro com poesia
Não ser um ganhador
Mas tudo isso não adianta nada
Se nesta selva escura e desvairada
Não se souber achar a grande amada
Para viver um grande amor!

Doença Passional


Dom Juan Ricthelly

Um homem apaixonado é um animal indefeso
Aos passos e tudo relacionado à sua musa
Ele fica completamente preso
Pensa nela toda noite antes de dormir
E todo dia logo após acordar
Chega ao cúmulo da loucura passional

Ao insanamente achar que ela
É mais importante até mesmo
Que o próprio ar.

Fica com cara de tolo e dá suspiros bobos
O tempo todo.
Se é músico fica mais musical
Se é poeta fica mais poético
E se já é naturalmente louco (coitado!).
Fica totalmente irracional.

Tolera o que habitualmente detesta
Adquire miopia, astigmatismo,
Cegueira total
E consente contente
Ser assolado, solapado
Por essa verdadeira moléstia
Que é invisível aos seus pobres olhos
Mas dolorosamente perceptível
Pelo seu miserável coração.

Fica musicalmente eclético
Ao ponto de achar que qualquer canção
Independente de gênero
Tem nexo absoluto, resoluto e completo
Com toda a sua emoção, paixão
E até mesmo a sua solidão.
Pobre coitado, mal sabe ele
Que está doente, e de uma doença
Que custa passar,
Na verdade quase incurável
Sendo seu remédio imediato e recomendável
Os braços e os lábios da mulher amada.

Taguatinga – TO 2010

P.S.: Dedico essa postagem a minha amiga Elaine Poulain, que me incentivou a voltar a postar. Mais uma vez obrigado Elaine!

27 novembro 2009

Poema: Soneto de Fidelidade


Muitas pessoas atualmente, sem generalizações desprezam o poder e o encanto de um bom poema em suas vidas, eu particularmente venho tentando conhecer um pouco mais sobre o que realmente é poesia através do estudo de obras de grandes poetas, porque mesmo não tendo um dom natural para tanto, quero escrever coisas bonitas que fiquem para posteridade da mesma forma que tenho certeza que ficará a obra de Vinicius de Moraes e outros grandes nomes, é fato que eles se foram e deram a sua contribuição a esse mundo, mas as suas obras ainda estão por aí tocando corações e alimentando mentes, espero um dia conseguir isso também. Tenho feito as minhas composições, e sou sincero comigo mesmo para admitir que ainda tenho muito o que melhorar, e com certeza vou, porque acredito que nem todo mundo é bom a princípio, a habilidade vem através da prática. E vai aí um poema que em minha singela opinião considero uma obra prima, por ser simples e dizer muito e apenas 14 versos.

Soneto de Fidelidade.
Vinicius de Moraes.

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Para tentar rir: Carta de Suicídio.


"Ilmo. Sr. Delegado de Polícia:
Não culpe ninguém pela minha morte. Deixei esta vida porque, um dia mais que eu vivesse, acabaria morrendo louco. Explico-lhe, Sr. Delegado: tive a desdita de casar-me com uma viúva, a qual tinha uma filha. Se eu soubesse disso, jamais teria me casado.
Meu pai, para maior desgraça, era viúvo, e quis a fatalidade que ele se enamorasse e casasse com a filha de minha mulher. Resultou daí que minha mulher tornou-se sogra de meu pai. Minha enteada ficou sendo minha mãe, e meu pai era, ao mesmo tempo, meu genro. Após algum tempo, minha filha trouxe ao mundo um menino, que veio a ser meu irmão, porém neto de minha mulher, de maneira que fiquei sendo avô de meu irmão. Com o decorrer do tempo, minha mulher também deu à luz um menino que, como irmão de minha mãe, era cunhado de meu pai e tio de seu filho, passando minha mulher a ser nora de sua própria filha.
Eu, Sr. Delegado, fiquei sendo pai de minha mãe, tornando-me irmão de meu pai e de meus filhos, e minha mulher ficou sendo minha avó, já que é mãe de minha mãe. Assim, acabei sendo avô de mim mesmo.
Portanto, Sr. Delegado, antes que a coisa se complicasse mais, resolvi desertar deste mundo.
Perdão, Sr. Delegado."

22 novembro 2009

MÚSICAS QUE FALAM POR MIM: LIGIA

Me recordo a primeira vez que ouvi essa música, foi amor a primeira ouvida, encontrei por acidente no You Tube uma versão de Tom Jobim e Roberto Carlos cantando juntos, dois dos maiores nomes da música brasileira, fiquei surpreso e encantado pelo conjunto letra e melodia que me emocionaram pelo tom equilibrado de romantismo e melancolia, espero um dia conseguir fazer algo tão lindo e sublime a alguém que eu ame de verdade...

Versão: Tom Jobim & Roberto Carlos.
Letra: Tom Jobim & Chico Buarque.

Eu nunca sonhei como você
Nunca fui ao cinema
Não gosto de samba
Não vou a Ipanema
Não gosto de chuva
Nem gosto de sol

E quando eu te telefonei
Desliguei, foi engano
O seu nome eu não sei
E esqueci no piano
As bobagens de amor
Que eu iria dizer
Ligia... Ligia...

Eu nunca quis tê-la ao meu lado
Num fim de semana
Um chope gelado
Em Copacabana
Andar pela praia até o Leblon

E quando eu me apaixonei
Não passou de ilusão
O seu nome eu rasguei
Fiz um samba-canção
Das mentiras de amor
Que aprendi com você
Ligia... Ligia...

Você se aproxima de mim
Com esses modos estranhos
E eu digo que sim
Mas teus olhos castanhos
Me metem mais medo
Que um raio de sol

E quando você me envolver
Em teus braços serenos
Eu vou me render
Mas seus olhos morenos
Me metem mais medo
Que um raio de sol
Ligia... Ligia...

Espero que tenham gostado.
VIDEO:
http://www.blogger.com/www.youtube.com/watch?v=4OWV1fmN1Oc